O MAU – Museu de Arte Urbana do Taguspark e a SNBA – Sociedade Nacional de Belas-Artes selecionaram nove projetos para a 6.ª edição das Residências Artísticas MAU-SNBA, o número mais elevado desde o arranque do programa, em 2025. A residência começou a 8 de setembro e decorre até dezembro.
Olivia Hicks, Pilar Trindade, Rui Simões, Nuno Alecrim, João Silva, Luís Almeida, Margarida Sá, Stefania Roseli e Maciel Santos foram os artistas escolhidos, que terão agora quatro meses para desenvolver as suas propostas no ambiente criativo do Taguspark.
É a terceira edição realizada este ano, depois das que decorreram em janeiro e em maio. Com esta edição, o programa já conta com 39 projetos apoiados, um crescimento que reforça a aposta estratégica do Taguspark no cruzamento entre arte, ciência e tecnologia.
“Este programa não se esgota na vertente cultural, faz parte da visão estratégica que temos para o Taguspark como um todo. O crescimento que temos visto edição após edição mostra que o caminho está certo e queremos continuar a fazê-lo crescer. Um ecossistema de ciência e tecnologia ganha quando a criação artística acontece dentro dele, todos os dias, e não ocasionalmente. Quem trabalha aqui não tem de sair para encontrar arte. Encontra-a no percurso normal do seu dia a dia”, afirma Eduardo Baptista Correia, CEO do Taguspark.
“Esta iniciativa está a resultar muito bem. Apareceram artistas com propostas muito interessantes. Criou-se uma espécie de viveiro, uma experiência muito diferente de outros contextos. Esta possibilidade de encontrar linguagens distintas no mesmo espaço, a troca de impressões, as relações humanas que se vão desenvolvendo. Naquilo que compete à SNBA e ao Taguspark, parece-me uma atitude exemplar. Abrem-se hipóteses de trabalho aos artistas, soluções, hipóteses de conhecimento”, considera Jaime Silva, pintor e vice-presidente da direção da SNBA.
Os artistas e os seus projetos:
Olivia Hicks – Dá continuidade à série Two Rivers, dedicada ao Tejo e ao Tamisa, dois rios associados aos lugares que considera casa. Através de desenhos de grande formato, sobretudo em esferográfica sobre tela, explora relações entre Portugal e Inglaterra, cruzando histórias, memórias e diferentes temporalidades. O projeto procura revelar semelhanças e contrastes entre os dois territórios, sobrepondo passado e presente numa mesma narrativa visual.
Pilar Trindade – O projeto parte da relação entre alimentação, corpo, memória e autorrepresentação, transformando elementos do quotidiano em matéria artística. Citrinos, vegetais, gengibre, refeições familiares e outros alimentos surgem associados às suas propriedades, mas também a experiências físicas e emocionais. Através da cor, do desenho e da construção de narrativas visuais, explora a alimentação enquanto experiência íntima, sensorial e identitária.
Rui Simões – Entre Pausa e Retorno: A Prática Artística como Presença Latente explora a ideia de que a criação permanece ativa mesmo durante períodos de afastamento da prática artística. No Taguspark, trabalha as relações entre pausa e continuidade, ausência e presença, recorrendo à experimentação de materiais, composição e narrativa visual. A residência assume-se como um processo de reencontro com a criação e de transformação de experiências acumuladas em novas possibilidades artísticas.
Nuno Alecrim – Explora materiais encontrados no espaço urbano, como cartão, papel, cimento, restos de construção e superfícies marcadas pelo uso e pelo tempo. Através de ações de rasgar, dobrar, comprimir, colar e recompor, estes elementos são transformados em matéria artística. O projeto pretende ultrapassar o formato convencional da tela, evoluindo para obras tridimensionais, esculturas e instalações relacionadas com o espaço e a arquitetura envolvente.
João Silva – O projeto explora a cultura do graffiti e as suas relações com o espaço público, memória, vigilância, identidade e liberdade de expressão. Durante a residência, investiga também a transformação das mensagens quando transitam entre a rua e as plataformas digitais, questionando os mecanismos que determinam a sua permanência, desaparecimento ou apropriação.
Luís Almeida – O Espectador Inquieto: Crónicas de um Quotidiano Sombrio propõe uma série de desenhos monumentais que confrontam a aparente normalidade quotidiana com uma sensação persistente de estranheza e insegurança. Em obras com cerca de 200 × 300 cm, executadas sobretudo em carvão e pastel sobre papel, constrói cenas domésticas e urbanas atravessadas por um perigo invisível, explorando através do gesto, da matéria e do vazio as inquietações do presente.
Margarida Sá – Como Expandir o Corpo investiga a relação entre corpo e tecnologia através da criação de próteses e dispositivos especulativos capazes de ampliar, substituir ou transformar funções humanas. Recorrendo à escultura, instalação, vídeo, robótica e componentes eletrónicos, o projeto questiona de que forma a tecnologia transforma o corpo e como aquilo que expandimos tecnologicamente pode também tornar-se invisível, oculto ou perdido.
Stefania Roseli – Sobre Tons explora a diversidade das tonalidades da pele negra e a sua relação com identidade, memória e herança cultural. Durante a residência, pretende criar entre seis e oito trabalhos de grande formato sobre tecidos preparados e tingidos manualmente em diferentes castanhos, conjugando desenho, acrílico e pastel a óleo. Símbolos Adinkra e padrões de inspiração africana integram as composições, valorizando ideias de união, perseverança, continuidade e pluralidade cultural.
Maciel Santos – Sob o mote A imaginação como tecnologia, explora a capacidade da arte para produzir novas formas de imaginar e interpretar a realidade. Partindo de objetos e situações quotidianas, desenvolve trabalhos através de diferentes meios, recorrendo a alterações de escala, deslocações, apropriações e associações inesperadas.









